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“Meu filho ainda não fala...será que ele tem Autismo? Estou preocupada (o)...”

Certamente, o título que escolhi para este artigo, é muito familiar para alguns pais.
Quando um casal recebe o resultado positivo de uma gravidez, um turbilhão de sentimentos surge associado a uma expectativa muito grande quanto ao bebê que está vindo.

Após o nascimento, aguardam ansiosamente por todas aquelas fases que os bebês passam...é a primeira mamada, é o ficar firme no colo, é a interação, é o primeiro sorriso do bebê, é o sentar sozinho, é o começar a engatinhar (alguns nem engatinham, já começam a ficar em pé e logo já estão dando os primeiros passinhos) e é claro é o “começar a falar”. Ouvir o primeiro “mamãe” e “papai” enche os pais de orgulho e alegria.

E quando a fala não surge? E quando as primeiras palavrinhas, que normalmente aparecem, por volta de 1 ano, não surgem? “Por que será que ainda não está falando?”

Infelizmente, ainda, muitos pais adotam o “ah ele tem o tempo dele, espera que ele vai falar!”. Ou os pais assumem essa posição de esperar ou então, começam a fazer buscas na internet (e hoje, nós temos muito facilidade em fazer isso, é “o Dr. Google”) e acabam se deparando com o Autismo.

Uma criança que não fala pode ter Autismo? O que significa Autismo? “Mas já levei-o no médico e ele me disse que é “falta de atenção ou que é apenas um atraso no desenvolvimento”!.

Autismo é um transtorno do desenvolvimento que surge antes dos 3 anos de idade e que afeta predominantemente a interação social, o desenvolvimento da comunicação e o desenvolvimento do jogo simbólico (dificuldade para se engajar numa brincadeira ou para brincar com os brinquedos, que comumente, as crianças brincam).

O que tenho observado e acompanhado, é que muitos pais e infelizmente, alguns profissionais, não atualizados no assunto, é que o Autismo ainda é classicamente descrito, pelos seguintes sinais: não se mistura com outras crianças, resiste a mudanças na rotina, não mantém contato visual, resiste ao contato físico, apresenta risos e movimentos não apropriados, gira objetos ou fica observando objetos que giram (como rodas dos carrinhos ou ventilador), pode ser agressivo, usa as pessoas como ferramenta, não são carinhosos, dentre outros.

Por isso, é muito comum, ouvir dos pais: “já até pensei em Autismo, mas fiz algumas pesquisas e sei que, Autista ele não é”. Ele é carinhoso, ele me olha, ele aceita o contato físico, ele me dá beijo, ele sabe montar blocos e torres de cubos de forma muito rápida, ele adora brincar no meu celular ou tablet, ele é muito esperto; ele brinca com outras crianças, quando vamos nas festinhas de aniversário; ele ingressou na escolinha e ficou super bem, não chorou, se adaptou bem!”

Mas é importante esclarecer que hoje em dia, falamos em Espectro de Autismo, isso porque o comprometimento das crianças pode ser diferente. Os casos mais graves, onde todos os sinais estão presentes, acabam sendo diagnosticados mais facilmente. Mas frequentemente, recebo crianças, que não necessariamente tem todos os sinais e isso acaba confundindo os pais e até mesmo os profissionais, que nem sempre estão preparados para este diagnóstico.

Neste artigo, gostaria de chamar a atenção dos pais, que hoje em dia, pensando no Espectro de Autismo, todos estes sinais podem não estar presentes e isso não significa que a criança não tenha Autismo. Os sintomas do Autismo e sua gravidade podem ser tão diferentes de um caso para outro, que devemos considerar que existe, para esta patologia, um “continuum” de sintomas. Algumas crianças podem ser mais graves e outras podem não necessariamente, ter todos os sinais ou com a mesma intensidade.

Muitas crianças do Espectro Autístico, podem ser carinhosas, podem não recusar o contato físico, podem não ficar isoladas no mundinho delas, podem olhar nos olhos. O que é importante analisar é qual é qualidade das suas habilidades (ou seja, elas podem interagir, mas essa interação é efetiva? É adequada para uma criança da sua idade?; elas podem olhar nos olhos (mas elas conseguem sustentar esse olhar? Conseguem se comunicar pelo olhar?). Enfim, poderia aqui, levantar vários aspectos que merecem ser cuidadosamente analisados.

Para muitos pais, o diagnóstico “Autismo” assusta e isso pode gerar uma série de sentimentos. No entanto, mais importante, que o nome em si, é a criança poder receber os apoios que necessita. É muito triste e causa uma sensação de impotência, ver uma criança, que possui uma série de dificuldades, e que deixou de receber, os apoios e as ajudas necessárias, porque os pais, ou os profissionais, não quiseram dar a ela o “rótulo de Autista”.

Uma criança do Espectro do Autismo, com sintomas leves ou graves, pode ter ganhos,pode receber ajuda e hoje em dia temos, vários suportes terapêuticos, como terapia fonoaudiológica, terapia com fisioterapeuta, com terapeuta ocupacional, com psicólogos, equoterapia, musicoterapia, psicopedagogia, dentre outros.

Um outro ponto, que eu gostaria de chamar a atenção dos pais é, crianças com Distúrbio Específico de Linguagem (DEL), podem ter dificuldades significativas no desenvolvimento da fala e da linguagem e isso afetar a socialização, a interação com outras crianças. A intervenção terapêutica com uma criança com DEL é bem diferente da intervenção com uma criança com Autismo e o diagnóstico diferencial nesses casos, é essencial.

Espero que gostem desse artigo e lembrem-se, esse site, também pode ser um canal de troca de experiências e informações.

Sintam-se à vontade para me escrever!
Um abraço a todos!
Atenciosamente,
Dra. Elisabete Giusti
Fonoaudióloga Infantil
Contato@atrasonafala.com.br

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