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O que é Disartria na Infância?


O termo Disartria vem do grego Dys arthroun e significa "inabilidade de pronunciar distintamente".  
É um transtorno neurológico motor de fala caracterizada pela lentidão, fraqueza,  imprecisão e incoordenação dos movimentos dos músculos da fala (falhas nos mecanismos de EXECUÇÃO da fala, diferente por exemplo, da Apraxia que afeta o planejamento e/ou programação dos movimentos de fala). 

O que pode levar à Disartria, quais as principais causas? 
Dentre as causas adquiridas temos: lesão cerebral traumática, tumores cerebrais, acidentes vasculares cerebrais, distúrbios infecciosos (meningite, encefalite, polioencefalite), distúrbios genéticos (distrofia muscular de Duchenne/ doença de Huntington).
 
Dentre as causas congênitas (presentes desde o nascimento): a principal causa é a Paralisia Cerebral. 
Uma outra condição que também ocasiona é a  Síndrome de Möebius, condição rara, onde ocorre um desenvolvimento anormal dos nervos cranianos (paralisia bilateral completa ou incompleta dos nervos facial e abducente). Em certos casos, os nervos glossofaríngeo e o hipoglosso também podem estar comprometidos.
Outras condições genéticas também podem levar a Disartria. 

 
Temos vários tipos de Disartria e o sistema de classificação mais utilizado é o proposto por  Darley, Aronson e Brown (1969/Sistema da Clínica Mayo), que se baseia nos grupos musculares afetados.
Os principais tipos descritos são:

  • Disartria Flácida
  • Disartria Hipocinética
  • Disartria Espástica
  • Disartria Hipercinética
  • Disartria Atáxica

O que pode estar errado com os músculos nos sistemas de fala?  

  • Paralisados (não podem se mover).
  • Fracos (não se movem bem).
  • Espásticos (hipertonia).
  • Flácidos (tônus não suficiente, flacidez).
  • Rígidos (movimentos lentos e amplitude reduzida).
  • Incoordenados.

Temos uma série de indicadores perceptuais de alterações em grupos musculares dos mecanismos de produção dos sistemas de fala estarão alterados, como por exemplo:

  • Incapacidade ou dificuldade para iniciar a fonação
  • Intensidade vocal reduzida
  • Pobre regulação da intensidade vocal
  • Capacidade respiratória reduzida (duração e número de sílabas) 
  • Qualidade vocal anormal (respiração, disfonia intermitente)
  • Reduzido suporte respiratório
  • Emissão de ar pelo nariz durante a produção de oclusivas
  • Hipernasalidade
  • Ressonância flutuante (hipo e hiper)
  • Voz muito suave, qualidade abafada
  • Imprecisão (“articulação arrastada”), consoantes imprecisas, liquidas, fricativas, africadas, indicando impedimento da língua.
  • Erros de simplificação (plosivação, redução de ditongos, de encontros consonantais)
  • Distorções de vogais, espaço reduzido para vogais
  • Erros de sonoridade
  • Prolongamento dos sons
  • Limitada diversidade dos movimentos dos articuladores (um ou mais).
  • Uso compensatório de estruturas, inabilidade para mover os articuladores independentemente de outros (ex. mover a língua independente da mandíbula – depois dos 3 anos
  • Dentre outros... 

Tratamento
Por se tratar de um transtorno motor, a intervenção deve ser baseada nos princípios de aprendizagem motora, com uso de técnicas direcionadas ao comprometimento dos diferentes subsistemas de fala (respiração, fonação, articulação, ressonância e prosódia). A importância de classificar o tipo da Disartria é para poder especificar as metas de intervenção para cada um. 
Vale salientar também que tem crianças com Disartria, mas que também apresentarão Apraxia (é possível a coocorrência destes diagnósticos). 

Um grande erro na intervenção com estas crianças é utilizar a terapia fonoaudiológica "tradicional" para tratar a fala. 
Pacientes com Disartria poderão apresentar alterações leves até  muito severas/profundas, por isso, sempre é importante o fonoaudiólogo considerar o uso de sistema de comunicação alternativo e suplementar. 

Referência utilizada para escrever este post: Clinical management of motor speech disorders in children. Anthony Caruso e Edythe Strand (1999). 

Caso deseje compartilhar, por favor, citar a autoria do post: 
Texto escrito por: Dra. Elisabete Giusti. Fonoaudióloga especializada em transtornos da fala e da linguagem. Expertise em transtornos motores de fala. www.atrasonafala.com.br . Direitos reservados

 

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